Lembrando o Breno…

Abração Sebastian,

Valeu pelo texto, sempre rico e super em tempo.
B.

Date: Mon, 7 Nov 2011 15:34:15 -0200
From: sebastian@atitude.inf.br
To: nedersader@googlegroups.com
Subject: Re: [NEderSader] ‎”Não foi a selvageria da batalha que corrompeu a esquerda: foi o roubo.”

Em 07-11-2011 07:18, Sebastian Rojas Archer escreveu:

Adriana, Breno, Pedro e nerdistas, os ativos e os passivos,
Um pouco tarde, mas apenas uma reflexão desorganizada neste emaranhado de ONG’s tão dependentes do governo. Como igrejas, se transformaram em negócios. A Viva Rio tem seus braços constituídos de acordo com o portfólio assistencial em questão. Viva a vida entre um exílio e mais uma morte na cobertura desta guerra urbana não assumida e escondida.
Breno, me preocupam todos. Os que passaram pelo governo, se omitiram e continuam omissos. Os que fazem das tripas coração para manter um DAS, como o pessoal da DS no Rio na questão das OS’s. Os que aceitaram passivamente o retorno do Delúbio, se aproximando em escala extraordinária da lógica real e existente das consultórias do Palocci.
Trair? Tenho respeito por todos, mesmo os que, por ausência de estrutura psicológica/ideológica, entregaram nomes. No entanto tenho receio de organizações que em nome de propósitos exclusivamente partidários tenham contribuído para o genocídio (2.000/2.500 pessoas) processado no Araguaia. Os erros nas análises conjunturais em 1964 e 1967 relativizaram o enfrentamento com alguma base popular ao golpe de 1° de Abril e o extermínio de pessoas inocentes, em sua maioria famílias camponesas. Crime hediondo desta escola de militares q apresenta corpos esquartejados sinalizando um primitivismo civilizatório inconteste.
Recentemente, Breno, um adversário no partido e no movimento, sugeriu cecear a voz de pessoas físicas no Conselho Gestor da APA do Leme. Tinha como tese de defesa, minha contínua interpelação à um anti “comunista”, eterno presidente de outro conselho, o comunitário de segurança de Copacabana e Leme e premiado com o título de cidadão pelo ex vereador Jerominho (miliciano preso), Coronel Carlos Fernando Ferreira Belo*. O mesmo que silencia diante da intolerância religiosa protagonizada por um policial capelão da PM.
As escalas extraordinárias de desvios processados, ontem (Itaipu, Jari, Usina Nuclear, etc), recentes (PROER, privatizações FHC, sanguessugas, etc) e hoje, merecem uma comissão da verdade, uma auditoria da dívida, uma reforma do aparelho patrimonialista de Estado. Reformas estruturais, digam-se, colocadas pelos movimentos sociais na década de 60 do século passado e até hoje adiadas, neste diluído processo de transição. Este é um tema à aprofundar para compreensão dos aspectos reais envolvidos na governabilidade atual e anterior, na forma e no conteúdo, garantida por um leque de aliados de passado autoritário inconteste. Refiro-me apenas aos apoiadores do golpe e dos regimes de 64-85/85-92/92-94, cuja conta pagamos rotineiramente em cada crise institucional ou quadro eleitoral indefinido.
Estamos vivendo um momento delicado. Uma crise estrutural lá fora. Nossos colonizadores estão de pires na mão, mas em nenhum momento, os privilegiados do topo da piramide e sustentáculo desta entidade sobrenatural chamada de “mercado” cederão um milimetro na necessária regulamentação do sistema financeiro internacional, nas remessas de lucros, na eliminação dos paraísos fiscais. O G20 se reúne em Nice, principal aeroporto de chegada à um dos principais paraísos fiscais, reduto plural do capital circulante da natural sonegação e tráficos variados. A colonia brasileira é reservada, mas presente.
Duplamente delicado por ter que debater com dureza com esta classe média tradicional, preconceituosa, daninha, verborrágica e, no outro lado, com o mesmo rigor, defender o direito do Suplicy disputar uma prévia democraticamente (dessistiu) . Defender a tese de omissão do governo Cabral em relação ao exílio forçado do Freixo, a morte da juíza, as mortes de inocentes, a morte de um cinegrafista. Amplificando um debate esquecido na esquerda: até quando adiaremos a proclamação da república? quando iniciaremos as reformas estruturais? quando trabalharemos a tal unidade em torno da democratização? quando resgataremos a trilha de movimentos sociais, sem o autoritarismo, cujo processo de ruptura deixamos de realizar? quando disputaremos a hegemonia real e objetiva de democracia no seio da sociedade, uma ampla parcela de desorganizados ou reféns do imposto sindical, por onde vagam os neo pelegos deste século.
Enquanto isso a direita se articula como novidade partidária, o DCE de Brasília é retirado com naturalidade das tantas tendencias de “esquerda” por um movimento de independentes, sem “ideologias”.
Se a cada denúncia cair um ministro, em março Dilma concluírá a reforma ministerial, sem mistérios mediáticos.
Nem mesmo a entidade mercado ajudado a direita com sua oscilação diária, mas também não tem atrapalhado a sustentação da especulação.

Esquerda volver com toda independência democrática radical!
A utopia sempre…
Sebastian

*“Botou a mão na arma, é inimigo. E inimigo, a gente trata com tiro na testa” (Coronel Fernando Belo – O Dia, 25 nov. 2000,p. 4)

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