Para uma nova coexistência pacífica global — Cunca Bocayuva

O horizonte estratégico de uma nova coexistência pacífica deve orientar a relação entre a nação brasileira e o governante da maior potência da terra. O espetáculo da vinda de Barack Obama para a praça pública no Brasil não pode ser uma operação midiática de apologia da sociedade do espetáculo na periferia, não podemos carnavalizar o descumprimento das promessas feitas ao mundo. O Presidente norte americano tem de ouvir dos setores organizados da sociedade brasileira a demanda do fim da guerra fria contra o sul, não podemos assinar um cheque em branco para a política e a presença norte americana direta em treinamento e ação militar no Peru e na Colômbia. Não podemos assinar um cheque em branco para a prisão de Guantánamo e as bases ilegais no nosso continente em troca do direito de viajar sem visto para os EUA. Não podemos trocar uma vaga de membro permanente do Conselho de Segurança da ONU através da compra dos aviões de guerra norte americanos. Não podemos negociar nossa posição em matéria de produção de produtos energéticos e commodities em troca de ceder aos novos modos de controle e comando via serviços e propriedade intelectual.

As nossas ambiguidades e ambivalências nas relações de amor e ódio ao país, ao Estado e ao povo norte americano, e seu modo de vida, não podem nos reduzir ao papel de mostrar a hospitalidade dando um palanque global para o chefe de Estado de uma potência que sustentou e sustenta regimes de guerra e exceção, de um governo que ainda não mostrou a capacidade de mudar sua doutrina de segurança. Já que nos impedirão de levar cartazes e bandeiras, já que o governo estadual e a mídia vão dar cobertura para essa nova pacificação, sempre em nome dos megaeventos, vamos mostrar ao mundo e ao Presidente Obama o que queremos de forma pacífica.

O que o mundo espera das brasileiras e dos brasileiros e, da nossa democracia é um espetáculo de politização e questionamento alegre, assim como desejamos que as prisões de Cuba se abram e suas dezenas de presos sejam libertados, num processo de avanço democrático e com respeito à soberania daquele país, queremos que soberanamente o Presidente Obama feche a prisão e a base de Guantánamo e cumpra suas promessas de campanha. O povo brasileiro depositou como outros povos do mundo um pouco de esperança na eleição de Barack Obama. Já acabou o prazo inicial de simpatia que despertou a eleição de um descendente de homens e mulheres escravizados, pelo estigma da origem africana e da cor negra como governante da maior potência do mundo, é hora de passar das palavras para a ação.

Sim você pode Mr.Obama fechar Guantánamo.
Sim você pode modificar a ganância geoeconômica e sua geopolítica de espoliação na América Latina.
Sim você pode ter o nosso apoio se começar a cumprir suas promessas de campanha
Sim você pode assinar em favor das convenções e protocolos internacionais sobre armas, sobre crimes e sobre o cumprimento de direitos econômicos, sociais, culturais e ambientais.
Sim você pode assumir compromissos avançados para barrar o efeito estufa e apoiar o desenvolvimento sustentável.
Sim você pode modificar a política de intervenção e militarização do espaço global.
Sim você pode deixar de apoiar regimes títeres e perseguir os povos que não seguem regimes alinhados aos interesses norte-americanos.
Sim Obama, you can.
Sim Obama, we hope.

Nos brasileiras e brasileiras achamos que um novo mundo é possível

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